Após o protesto, cidades dos EUA não tiveram aumento nos casos de covid-19

Amélia 24/06/2020 Relatar Quero comentar

Os protestos antirracistas que se espalharam por todo o território dos Estados Unidos nas últimas semanas levaram ao país um receio: o de que as aglomerações causariam um aumento expressivo nos casos de coronavírus no país.

No entanto, três semanas após o início das manifestações, esse aumento não foi registrado. Enquanto alguns veem isso como um sinal de que o isolamento social não é tão importante quanto o uso de máscaras, mas especialistas alertam: é cedo para qualquer conclusão.

"Eu realmente acho bom que não tenhamos visto surtos enormes desta vez, mas tudo o que aprendemos sobre a epidemiologia desse vírus diz que pessoas que se aproximam de infectados estão em risco", afirmou ao Buzzfeed News a epidemiologista Kate Grabowski, da Johns Hopkins University.

O fato de o número de novos casos ter se mantido não significa que as pessoas que compareceram aos protestos não se contaminaram. Dados cedidos pelas operadoras telefônicas revelam que, nas cidades onde as manifestações tiveram mais força, a maior parte da população não saiu de casa.

Pesquisadores da Universidade de Colorado, Denver, explicam que os habitantes dessas cidades podem ter optado por ficar em casa para não se envolverem em conflitos entre manifestantes e policiais.

Além disso, é importante considerar o público dos protestos. Em jovens, a proporção de contágios assintomáticos é maior, o que significa que eles podem ter contraído a doença sem perceber. Sem o diagnóstico, esses casos não são inclusos na contagem oficial. "A verdade é que nunca vamos saber com certeza, porque há muitas variáveis", argumentou o epidemiologista Andrew Noymer, da Universidade da Califórnia, Irvine.

Os especialistas alertam para outros grandes eventos que levaram a aumentos na contagem de casos ao redor do mundo. Na Coreia do Sul, por exemplo, o contágio em massa se iniciou com uma única igreja.

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