Mães são as mais impactadas social e psicologicamente pela pandemia

Filomena 23/06/2020 04:19 Relatar

Um estudo do Centro de Pesquisa Econômica e Social da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, sugere que as mulheres são as mais prejudicadas pela pandemia do novo coronavírus — principalmente aquelas que não possuem graduação. Segundo os cientistas, elas sofreram mais perdas de emprego do que os homens e assumiram mais responsabilidade na casa e com os filhos.

Para realizar a pesquisa, os especialistas entrevistaram 6.824 adultos nos EUA sobre as mudanças que o Sars-CoV-2 causou em suas vidas. O estudo foi realizado entre 10 de março e 16 de junho e disponibilizado pelos pesquisadores.

 

Dupla jornada e desemprego

Os dados mostraram que 44% das mulheres no início de abril relataram ser o único membro da família que prestava assistência aos filhos, em comparação com 14% dos homens. Entre os adultos que trabalham, incluindo aqueles que trabalham em casa, uma em cada três mães informou que era a principal cuidadora das crianças, em comparação com 1 em cada 10 pais.

Além disso, desde o início da pandemia, as mulheres com menos escolaridade sofreram as maiores perdas de emprego. Foi observada uma queda de 15 pontos percentuais no início de abril em comparação a março, enquanto homens sem diploma universitário durante o mesmo período sofreram uma queda de 11 pontos.

Segundo a economista e principal autora do estudo, Gema Zamarro, isso ocorre por diversos motivos: primeiro, a crise de saúde atingiu setores que empregam mais mulheres, como restaurantes e hotéis, levando a mais demissões; segundo, quando as escolas e creches fecharam e as ordens de distanciamento social dificultaram a ajuda de familiares, as necessidades de cuidar dos filhos aumentaram.

"Considerando que as mulheres já carregavam um fardo maior para cuidar de crianças antes da pandemia, não surpreende que as demandas sejam agora ainda maiores", diz, em nota, Zamarro. "No geral, isso também prejudicou a saúde mental das mulheres, principalmente as que têm filhos".

 

As mães relataram um grande aumento no sofrimento psicológico no início de abril, em comparação às mulheres sem filhos e todos os homens. No início de junho, apenas 19% dos homens — com ou sem filhos — relataram estar pelo menos levemente angustiados, em comparação com 30% das mulheres sem filhos e 34% das mulheres que são mães.

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