Pai sofrendo com a morte do filho vítima de COVID-19, finca a cruz de volta na areia. 'A dor é como uma bomba '

Mania de Notícia 15/06/2020 Relatar Quero comentar

O taxista Marcio Antonio do Nascimento Silva completa 56 anos hoje, mas não vai comemorar o aniversário. No dia 18 de abril, teve que chorar a morte do filho Hugo, de 25 anos, vítima de covid-19. Nas semanas seguintes, agarrou-se à espiritualidade — é kardecista — e ao apoio da mulher, que é psicóloga, para não cair em depressão.

Na última quinta-feira, porém, ao caminhar pelo calçadão de Copacabana, teve novo choque: viu um homem atacar crucifixos que homenageavam as vítimas da pandemia. "Uma daquelas cruzes representava meu filho", define Silva. Indignado, ele pisou na areia para recolocar as cruzes no lugar, enquanto era chamado de "esquerdista" e "comunista" por alguns dores e aplaudido por outro grupo.

As imagens do homem que desrespeitou a homenagem às vítimas do coronavírus e a reação de Silva circularam bastante pelas redes sociais e pelos veículos de imprensa. "Recebi telefonemas me apoiando, não acompanho redes sociais"

Sem ser agressivo, ele não teve dúvida em resistir. E não se arrepende. "Pensei: eles podem derrubar cem vezes que eu vou recolocar cem vezes". Nessa entrevista emocionada à coluna, o taxista explica o que aconteceu nesse que foi um dos episódios mais emblemáticos da epidemia de ódio que o Brasil atravessa.

Silva diz como enxerga esse momento do país, que leva as pessoas a quebrarem regras básicas de civilidade em nome da política. "Agora o ódio é contra a gente, contra nós que somos vítimas", observa. "Eu não tenho nada a ver com política, quero apenas respeito à minha dor, à dor de outras vítimas.

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