Após perder mãe para covid, mulher adota cão de rua que a consolou no Piauí

Matérias Oficiais(+10% Clicks) Amélia 27/08/2020 Relatar Quero comentar

No último dia 15, Jaqueline Masceno, 37, perdeu a mãe para a covid-19, um dia após ela ser internada em um hospital de Teresina. "Foi muito forte para mim; foi muita dor, eu gritei desesperada, sai do hospital e me sentei do lado de fora para chorar", conta ela.

Uma das tristezas naquele momento é que Jaqueline não pôde se despedir da mãe. "Como sou do grupo de risco, não me deixaram ficar no hospital. Quando falaram que ela estava mal no sábado (15) e ia ser intubada, sabia que ela iria partir, e que ela queria se despedir de mim. Tentei entrar no hospital, invadi mesmo, mas os médicos me seguraram. Quarenta minutos depois me deram a notícia (da morte)", diz.

Com a dor da perda da mãe, ela foi à calçada em frente ao hospital chorar, e de repente surgiu um cão — que vivia na rua e frequentava por vezes o local — e pulou nos braços de Jaqueline como se fosse um ato para consolá-la."

Quando sentei, os médicos e meu marido vieram atrás de mim tentando me acalmar. O cachorro estava deitado, e ele me viu, veio do nada e pulou nos meus braços. Mas pulou de uma maneira que nunca vi porque nem os meus cachorros mesmo fazem isso. Ele veio, botou o rostinho encostado e me lambeu no pescoço", conta.

A ação do cachorro comoveu Jaqueline naquele momento, que afirma ter sentido a presença espiritual de sua mãe no local. "O pessoal ficou mandando tirar ele, eu disse: 'não tira, deixa ele que é minha mãe que está se despedindo de mim'" diz, entre lágrimas.

Eu sei que era ela, eu senti isso: senti no abraço do cachorro, no beijo dele, porque ela sabe que eu gostava de animal. Ela também cuidava de animal, mesmo sendo cadeirante, mesmo com a dificuldade dela.

A história de amor e ligação com cachorros já é antiga. Jaqueline ajuda há três anos o Lar do Nando, uma entidade de proteção aos animais. O que ela não contava é que a foto dela sendo consolada pelo cão iria viralizar nas redes sociais. Isso a motivou a querer adotar o cão consolador. "No domingo eu fiquei sabendo que tinham tirado a foto e ela estava na internet. Na segunda-feira eu passei mal, fui para o hospital de novo. Na saída, fui atrás dele e não encontrei", revela.

Jaqueline deixou um recado no hospital para que, caso o cão aparecesse, avisassem a ela. "E ele reapareceu no dia da missa do sétimo dia dela (sexta, 21). Eu cheguei da missa, estava aqui em casa chorando, com dor de cabeça, e a enfermeira me ligou dizendo que ele estava na porta do hospital novamente. Eu não pensei duas vezes, mandei pegar ele", lembra.

Como Jaqueline já criava duas cadelas em sua casa, a ideia inicial era mandar o cão — batizado de 'Anjo Gabriel" — para o Lar do Nando, onde passaria a ter um lar. "Ele ia para o abrigo porque minhas cadelas não se acostumam com outros cachorros: sempre trouxe, nunca aceitaram. Mas eu trouxe o Gabriel, e elas aceitaram ela de boa, ficaram brincando. Fiquei impressionada e disse: 'não vai para lar nenhum! Vai ficar aqui'", conta.

Desde sexta-feira, Gabriel está na casa de Jaqueline e ficará em definitivo. Na segunda-feira (24), ele foi castrado, e no mesmo dia voltou para a sua nova casa.

Segundo Jaqueline, ele está bem e vai seguir em sua casa como uma lembrança do amor em um dia tão marcante em sua vida.

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