2020 será um ano perdido para as categorias de base do futebol brasileiro?

Matérias Oficiais(+10% Clicks) Amélia 18/08/2020 Relatar Quero comentar

"No processo de formação desportiva de um atleta de futebol, cada período e estágio de treinamento é de extrema importância. E a imposta e necessária paralisação das atividades terá como consequência um 'achatamento na curva' de crescimento da qualidade técnica dos jovens jogadores", pondera o advogado especialista em direito esportivo, Rafael Cobra.

Por este motivo, sugere, de forma definitiva, a reclassificação das categorias de base no futebol brasileiro. A ideia é "adotar como parâmetro os anos pares (exceção ao sub 21) como limite de participação dos atletas. A partir da temporada de 2021, a categoria sub 12 seria para atletas nascidos em 2009 e 2010, a sub 14 para nascidos em 2007 e 2008, sub 16, 2005 e 2006, sub 18, 2003 e 2004, e sub 21, para aqueles que são de 2002, 2001 e 2000", explica Rafael Cobra.

A proposta teve a chancela do ministro Guilherme Caputo Bastos, presidente da Academia Nacional de Direito Desportivo, e foi encaminhada à Confederação Brasileira de Futebol. A entidade, no entanto, trabalha com o protocolo e os procedimentos para o retorno das competições de base ainda em 2020, e a reclassificação não foi discutida nestes termos, informou a assessoria de imprensa.

O Campeonato Brasileiro sub-20 tem volta agendada para 23 de setembro. Será o primeiro torneio nacional de base a começar, com a final prevista para 7 de fevereiro de 2021. Em outubro começam a Copa do Brasil sub-20 e o Brasileiro sub-17. Ambas terminam em dezembro.

Outros torneios, como o Brasileiro de Aspirantes (sub-23), a Copa do Brasil sub-17 e a Copa do Nordeste sub-20, como no futebol profissional, só terminam no ano que vem. Mas como são referentes à atual temporada, os atletas que estourarem a idade limite das categorias em 2020 poderão competir até a conclusão das respectivas competições em 2021, desde que inscritos no Boletim Informativo Diário (BID) da entidade conforme o regulamento de cada evento.

"Não sou a favor do retorno. Foi quase impossível ter treinamento técnico e tático nesta pandemia. Isso é um problema sério. Tem o transporte até os locais de treino e jogos, não dá para manter isolamento e, na base, é impossível testar todo mundo. Então, a proposta de alteração nas categorias pode dar, ao garoto mais velho, a chance de permanecer mais um ano na base", analisa a doutora Ana Lúcia Sá Pinto, pediatra e médica do esporte.

"A pandemia pode atrapalhar e muito a sequência desses futuros profissionais. Não há posição concreta da FIFA neste sentido, mas acredito que não haveria prejuízo realinhar. As categorias de base não seguem um mesmo padrão no mundo", avalia Luiz Marcondes, presidente do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo.

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