Promotora denuncia repórter da Record por crime de importunação sexual na TV

Felipe989 07/08/2020 Relatar Quero comentar

Promotora denuncia repórter da Record por crime de importunação sexual na TV

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

promotora Maria do Carmo Galvão de Barros Toscano, do Ministério Público de São Paulo, denunciou o repórter Gerson de Souza pelo crime de importunação sexual contra quatro jornalistas da Record, todas no ambiente de trabalho do programa Domingo Espetacular. A acusação foi protocolada na Justiça na última segunda-feira (3). Se condenado, pena é de prisão por até cinco anos.

A denúncia é resultado de investigação policial aberta em maio do ano passado,  e afirmaram terem sido vítimas de assédio sexual por parte de Souza. Segundo elas, . Há um ano e dois meses, ele causou revolta ao surpreender uma produtora com um beijo na boca.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, as investigações do 23º DP (Perdizes) de São Paulo concluíram que Souza "por diversas vezes e de forma continuada, importunava as vítimas com palavras maliciosas, comentários de conotação sexual, gestos obscenos e toques lascivos e não consentidos, com elas mantendo contato físico inoportuno, constrangendo-as dentro do local de trabalho".

Os depoimentos das quatro vítimas foram confirmados por nove testemunhas. O primeiro caso de assédio registrado pela polícia ocorreu em 2016.  da emissora.

A promotora registra que Gerson de Souza negou as acusações à polícia, "porém, a forma e o contexto em que tocava nas vítimas, sempre com comentários ou gestos maliciosos, de conotação sexual, demonstram inequivocamente sua intenção em satisfazer a própria lascívia".

Repórter continua afastado do trabalho (mas recebendo)

O crime de importunação sexual foi incluído no Código Penal brasileiro em 2018, em seu artigo 215-A. Constitui em "praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro". A reclusão é de um a cinco anos, "se o ato não constitui crime mais grave".

Gerson de Souza foi incurso quatro vezes no artigo 215-A, combinado com o artigo 71 do Código Penal, que trata do crime continuado.

O jornalista está afastado dos trabalhos desde maio do ano passado, mas continua recebendo seus salários. Ao  Notícias da TV, a Record afirmou que "segue aguardando o desfecho do caso".

Procurados, os advogados de Gerson de Souza disseram apenas que, "como o caso tramita em segredo de Justiça, por enquanto registramos apenas que a inocência do Gerson será demonstrada

O repórter desde o início nega as denúncias, que atribui a suposto revanchismo. "É devastador saber que minha carreira, e vida pessoal, estão em risco pelas informações que circulam na mídia. Sobre as acusações, no momento posso apenas dizer que o que está sendo dito sobre mim não é verdade e que confio no trabalho da polícia para esclarecer os fatos", .

"Qualquer pessoa que me conhece ou já trabalhou comigo sabe que eu não sou alguém que ofenderia ou deixaria alguém desconfortável. Tenho certeza que nunca agi de maneira ofensiva e sinto profundamente caso em algum momento de minha trajetória de 42 anos no jornalismo algum de meus colegas tenha se sentido desrespeitado. Sou pai de cinco filhas e avô de quatro  netas e é essencial para mim que mulheres tenham um ambiente de trabalho seguro."

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