OMS alerta para taxa de mortalidade de indígenas por covid-19

Amélia 18/08/2020 Relatar Quero comentar

A OMS alerta para o avanço da covid-19 entre a população indígena na América do Sul, indicando que a taxa de mortalidade é superior ao restante da população.

"Os relatos de casos de COVID-19 entre os povos indígenas estão aumentando em toda a região (americana), com uma taxa de mortalidade relatada maior neste grupo em comparação com os povos não-indígenas", destacou a agência.

O alerta ocorre no momento em que a ONU contesta os vetos do governo de Jair Bolsonaro em projeto que previa assegurar recursos para garantir proteção às comunidades indígenas e quilombolas diante da pandemia da covid-19. A entidade afirma que o estado brasileiro deve adotar "medidas afirmativas concretas" para lidar com grupos vulneráveis e se diz "preocupada" diante da recusa do Executivo em assegurar orçamento.

A declaração da entidade faz parte de uma carta enviada pela ONU para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O Legislativo, em reação às atitudes adotadas pelo governo Bolsonaro, havia solicitado a opinião da entidade internacional.

Há poucas semanas, Bolsonaro vetou artigos em um projeto de lei a exigência de fornecimento de acesso a água potável e distribuição gratuita de materiais de higiene, limpeza e de desinfecção para as aldeias indígenas. Ele também barrou a obrigatoriedade de o Executivo liberar verba emergencial para a saúde indígena, instalar internet nas aldeias e distribuir cestas básicas.

As medidas faziam parte do projeto de lei 1142, que buscava assegurar medidas emergenciais, durante a pandemia, para povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.

O presidente também vetou o dispositivo que exigia que o governo facilitasse aos indígenas e quilombolas acesso ao auxílio emergencial e executasse ações para garantir a essas comunidades a instalação emergencial de leitos hospitalares e de terapia intensiva, com o fornecimento de ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea.

Num documento técnico, a ONU aponta como os artigos vetados pelo governo são, de fato, essenciais para que o país possa cumprir suas obrigações de proteger as populações contra a pandemia.

Na carta, a ONU destaca como os governos "possuem o dever de incluir pessoas que são marginalizadas e que podem enfrentar risco de omissão, exclusão ou desigualdade". "Não deixar ninguém para trás" deve ser o fio condutor das mais diversas ações de combate à pandemia, conforme as Diretrizes Relativas à COVID-19 publicadas por este Escritório", indica.

Mortes: Brasil tem taxa cinco vezes superior à média mundial

De acordo com a OMS, o Brasil soma 3,2 milhões de casos. 313 mil foram registrados na semana que terminou no dia 16. Isso significa 15,4 mil casos por cada um milhão de habitantes, um número inferior ao que existe nos EUA, Peru, Panamá e Chile. Mas muito superior à média mundial de 2,7 mil casos por um milhão de habitantes.

No que se refere às mortes, o Brasil registrou 6,9 mil em uma semana e um total de 105 mil. Ou seja, 501 casos para cada um milhão de habitantes. A taxa é mais de cinco vezes superior à média de 98 mortes por um milhão no mundo.

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