Como a expulsão do TikTok dos EUA afetaria a indústria de tecnologia da China

Filomena 02/08/2020 Relatar Quero comentar

Com mais de 165 milhões de downloads e um público adolescente fiel, o aplicativo de vídeos curtos TikTok é um raro caso de sucesso de aplicativos chineses nos Estados Unidos. E pode ser o último.

Em meio a preocupações cada vez maiores com a influência das empresas chinesas e seus vínculos com o governo comunista, especialistas em segurança nacional afirmam que o governo dos Estados Unidos está utilizando todas as ferramentas disponíveis para impedir os investimentos chineses em tecnologia de entrar no país.

“Acredito que a porta será fechada para novos investimentos chineses", comenta Mario Mancuso, sócio da Kirkland & Ellis, e ex-membro do Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos, ou CFIUS. “As empresas norte-americanas, tanto na comunidade tecnológica quanto na indústria como um todo, estão começando a entender isso”.

O TikTok, conhecido pelos clipes de dança que costumam viralizar, é o mais novo ponto de conflito geopolítico nas relações entre Estados Unidos e China. O governo Trump tem levantado muitas suspeitas em relação ao grande volume de dados coletados na plataforma da empresa chinesa ByteDance e à possibilidade de que eles sejam acessados pelo governo da China. 

A empresa negou essas acusações e se esforçou muito para provar sua independência da matriz chinesa, já que o presidente Trump e o secretário de Estado Mike Pompeo ameaçaram tirar o aplicativo do ar.

No começo deste ano, Kevin Mayer, ex-executivo da Disney, foi contratado como CEO do TikTok e diretor de operações da ByteDance. A empresa estaria pensando na possibilidade de estabelecer uma sede mundial fora da China e insiste em afirmar que os dados dos usuários norte-americanos estão armazenados apenas nos servidores dos Estados Unidos, com backup em Singapura.

Política sem limites

Ainda assim, qualquer medida que não seja a separação total do TikTok da matriz chinesa ByteDance tem poucas chances de tranquilizar os legisladores e órgãos reguladores que suspeitam das intenções da empresa. Theresa Payton, ex-chefe de informações da Casa Branca no governo do presidente George W. Bush diz que a desconfiança se estende a qualquer empresa chinesa com planos de investir nos Estados Unidos.

“A China e os Estados Unidos precisam chegar a um acordo sobre a proteção e o respeito aos direitos de propriedade intelectual e à privacidade dos cidadãos e seus dados", comenta Theresa. “Enquanto essa relação internacional não for ajustada, qualquer hardware, software e aplicativo de rede social chinês passará por investigações desse nível porque os limites não são claros”.

Clique na segunda página para continuar navegando
Comentário do usuário