Pacaembu também foi barbearia e cinema enquanto sediou hospital de campanha

Matérias Oficiais(+10% Clicks) Amélia 30/06/2020 Relatar Quero comentar

Aplausos e gritos eufóricos anunciaram que Nilza Dantas Batista, 61 anos, se aproximava do sino colocado na saída do hospital de campanha do Pacaembu, em São Paulo. Cada badalada deste sino representa uma vitória coletiva.

Dona Nilza comemora a vida, estava internada desde 22 de maio. Os profissionais de saúde celebram porque estão diante da maior calamidade sanitária de suas carreiras. Mas as altas de Nilza e Nelio di Moura Moysés, 57 anos, tiveram um significado maior.

Tratava-se da liberação dos dois últimos pacientes, já que o hospital foi fechado ontem. A tenda, os leitos e os respiradores no estádio que recebeu seis jogos da Copa de 1950 é uma das imagens-símbolo da pandemia de covid-19 em São Paulo. Mas o que as pessoas não conseguem ver é o que aconteceu embaixo da lona.

O abatimento de médicos e enfermeiros com a perda de um paciente. Ninguém fica sabendo da mobilização para evitar que esta pessoa, que vivia na rua, fosse enterrada como indigente. A calamidade que aflora o pior do ser humano em muitos momentos, despertou os melhores sentimentos no Pacaembu.

Teve voluntário fazendo a barba de idosos que não queriam parecer relaxados nas ligações de vídeo com a família. Uma iniciativa individual gerou um cinema e aliviou as tardes de pessoas que não sabiam se sairiam do hospital andando ou em um caixão.

Tesoura e lâmina de barbear

Funcionários de uma empresa terceirizada faziam manutenção no hospital de campanha quando seu João foi conversar com a mulher por vídeo chamada. O paciente começou a chorar. Falava com a companheira de uma vida descabelado e com a barba por fazer havia dias. Ele se sentia um indigente.

Seu João explicou a Renata Rafaella Tadeucci, coordenadora administrativa do hospital, que fazia a barba todos os dias. Um dos empregados da empresa terceirizada escutou a conversa. Disse que fizera um curso de barbearia e se ofereceu para resolver a situação.

Mas hospital é um ambiente controlado.A equipe médica precisou criar uma sala adequada. E não seria justo beneficiar somente seu João.O hospital de campanha do Pacaembu ganhou uma barbearia. O serviço não era diário, mas houve sessões de embelezamento dos pacientes.

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