Pai com doença degenerativa usa poltrona com rodas pra levar filha ao altar

Amélia 18/03/2020 00:41 Relatar

A entrada da noiva até o altar costuma ser um dos momentos mais emocionantes e aguardados de um casamento. Esse trajeto de poucos passos foi ainda mais marcante e intenso para Rosangela Rodrigues Vasconcellos, de 29 anos: ela conseguiu ser conduzida ao altar pelo pai Antônio Arcanjo Rodrigues, 54 anos, portador de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Antônio tem ELA há 13 anos. A doença progressiva é degenerativa e afeta o sistema nervoso central,provocando paralisia motora irreversível. Por isso ele perdeu os movimentos dos braços, das pernas e a fala. Sua comunicação é exclusivamente pelo olhar e a alimentação apenas por sonda. Para que ele pudesse participar desse momento foi preciso montar uma força-tarefa. O casamento entre Rosangela e o marido Fábio Dias Cabral Vasconcelos,45,aconteceu no dia 8 de fevereiro, em Curitiba. O casal está junto há 12 anos e tem um filho dessa idade,mas não havia oficializado a união.

Pai fez questão de levar ao altar

"A princípio, eu e meu esposo íamos nos casar apenas no civil. Mas, quando contei para o meu pai, ele detestou a ideia. E disse que, se ele não pudesse me levar ao altar, eu não casaria", lembra Rosangela. Para se comunicar com Antônio, a filha diz uma a uma as letras do alfabeto e, quando chega a letra que pertence à palavra que o pai quer, ele faz um sinal com os olhos.

Portanto, em agosto do ano passado começou a correria para organizar a cerimônia. Além dos detalhes comuns de um casamento, como comida, decoração e música, era preciso pensar como Antônio, que é apaixonado por festas, participaria sem ter a saúde afetada. Há pelo menos 10 anos ele não ia a comemoração alguma que não fosse em sua residência. Sua rotina limitava-se a sair de casa para o hospital.

"Conversamos muito com os médicos para nos preparar para diversos imprevistos que poderiam ocorrer, porque qualquer detalhe fora de controle poderia colocar em risco a saúde do meu pai. Tanto que separamos uma saída de emergência para ele pudesse deixar o salão rápido caso passasse mal e até a melhor rota até um hospital. Também deixamos uma ambulância de prontidão", lembra Rosangela.

Poltrona com rodinhas e emoção

Nada disso foi preciso. Sentado em uma poltrona adaptada com rodinhas e sendo empurrado pelo neto, filho da noiva, Antônio realizou o sonho de ver a filha vestida de branco e casando. A entrada dos três até o altar emocionou a todos.

"Meu coração estava a mil. Foi um misto de sensações que é até difícil de explicar. Tive medo de acontecer algo com ele, mas ao mesmo tempo estava transbordado de felicidade", conta Rosangela.

Ainda segundo a noiva, o pai estava extremamente feliz e fez questão de dançar uma valsa com ela. "Ele quis passar mesa por mesa para cumprimentar os convidados e até dançou. Foi um dos que mais aproveitou a festa e comemorou cada momento. Foi o melhor dia das nossas vidas", lembra.

Para completar a noite, quem pegou o buquê da noiva foi a irmã gêmea de Rosangela, Rosane. Segundo a noiva, a família agora está na expectativa de logo ter mais um casamento — e de Antônio poder acompanhar também a outra filha ao altar. "Foi pra fechar com chave de ouro a nossa alegria."

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