'Não queremos fugir da guerra': funcionários criticam falta de EPIs no Hospital das Clínicas

Filomena 11/04/2020 Relatar Quero comentar

“Não queremos fugir da guerra, mas nos mandem pra ela preparados”. A declaração é de uma funcionária do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes), conhecido como Hospital das Clinicas, e vinculado à Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ainda no mês de março, 80 leitos foram disponibilizados pela direção do hospital, para tratamento de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Segundo os funcionários, no entanto, a unidade não tem condições de receber os pacientes.  

“O hospital não se preparou para atender os pacientes de covid-19, não por questões financeiras, não está faltando recursos, são questões de gestão. O hospital está à deriva, não estava funcionando bem antes, como vai abrir uma enfermaria para atender casos de coronavírus?”, questiona outro membro da equipe de saúde, que também preferiu não ser identificado. 

Segundo os relatos, o hospital não tem equipamentos de proteção adequados para os funcionários e falta também treinamento à equipe para procedimentos específicos relativos à covid-19. “Por ser um hospital público, já tem uma dificuldade de insumos, como máscaras, luvas, esses equipamentos de proteção. Foram adquiridas umas capas plásticas, que não protegem, partes do corpo ficam expostas, não tem como tirar sem se contaminar", diz a funcionária.

Outra queixa dos funcionários diz respeito ao fluxo de tratamento dado a pacientes com covid-19 que já se encontram internados na unidade. Segundo eles, foi separada uma enfermaria para os casos da nova doença, o que, contudo, não seria eficiente. “A enfermaria fica do lado oposto à UTI, se for necessário transferir esses pacientes, é preciso descer de elevador, atravessar o corredor principal do hospital e subir novamente. São pelo menos cinco áreas contaminadas”, diz um membro do hospital. 

Segundo alguns integrantes da equipe, inicialmente, os dois pacientes em tratamento contra a covid-19 chegaram a dividir quarto com outros internados, expondo equipe e outros doentes a riscos. A equipe que teve contato com estes pacientes, inclusive, não teria sido testada  porque faltam testes rápidos para o coronavírus na unidade. 

“Somos um hospital de referência para pacientes crônicos e que têm a imunidade rebaixada. Não temos a estrutura de receber pacientes com coronavírus, e isso expõe os outros pacientes, que são de grupo de risco”, explica uma das funcionárias. 

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