'Peguei Covid-19 fazendo o que amo', escreveu médico de 32 anos antes de morrer

Filomena 11/08/2020 Relatar Quero comentar

Pai de duas crianças, o neurocirurgião Lucas Pires Augusto, de 32 anos, morreu no último sábado, vítima de Covid-19. Jovem e sem nenhuma comorbidade, o médico ganhou notoriedade após participar de procedimento inédito para separação de gêmeas siamesas que nasceram unidas pela cabeça, em 2018, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. No fim de julho, pouco antes de ser transferido para a UTI, o rapaz avisou em uma rede social que ficaria incomunicável e tranquilizou parentes e amigos.

"Peguei essa doença fazendo o que amo, cuidando dos meus pacientes com amor e dedicação. Faria tudo outra vez", escreveu.

Nascido em Minas Gerais e formado na Universidade Federal do Paraná, Pires era residente do Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto quando participou da cirurgia de separação das gêmeas. Durante a pandemia, ele atuava na linha de frente do combate ao coronavírus no Instituto de Saúde Bom Jesus, em Ivaiporã (PR). O médico estava internado na UTI do Hospital Maringá, mas o quadro se agravou neste fim de semana e ele não resistiu.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Paraná lamentou a morte do profissional.

"Registramos com pesar o falecimento do médico Lucas Pires Augusto. Ele era especialista em neurocirurgia e atuava na região de Ivaiporã. Deixa esposa, também médica, e dois filhos", diz o texto. A instituição incluiu, também, a mensagem de uma ex-colega de turma do rapaz, a médica Valéria Cristina Scavasine, destinada aos filhos de Lucas.

“Queridos Benjamin e Isabela, o pai de vocês foi para outra dimensão hoje, ficar mais pertinho de Deus. Ele deixa o plano terreno como um herói. Nunca se esqueçam disso: por amor à profissão, ele perdeu a própria vida cuidando de outras vidas.

Hoje, nesse dia 8 de agosto de 2020, vocês ganham 88 padrinhos e madrinhas. Nossa turma da faculdade sempre foi polêmica, briguenta, mas, nesse momento de dor, uniu-se por uma causa.... a causa de manter viva a memória do nosso mais brilhante colega. O coração dele continua batendo em vocês dois. Como forma de honrá-lo, a família dele também se torna a nossa família... e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer. Contem conosco SEMPRE, mesmo que seja para relembrar as histórias que o Lucas, com seu humor sagaz e sotaque mineiro, contou tantas vezes para alegrar nossos dias", escreveu.

O Instituto de Saúde Bom Jesus, onde Lucas trabalhava, também manifestou pesar por meio de uma rede social.

"Neurocirurgião, Dr. Lucas deixa amigos e colegas e em sua passagem por Ivaiporã, embora encurtada pela fatalidade, ficará marcada pelo exemplo de grande dedicação profissional", diz a nota.

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