Billy Porter fala sobre casos racistas recentes: "Não estou surpreso"

Amélia 21/06/2020 Relatar Quero comentar

O ator Billy Porter escreveu um artigo publicado no jornal britânico The Guardian contando sua história como gay negro nos Estados Unidos. No texto, ele afirma que sua experiência de vida retirou dele a chance de se sentir surpreso com os casos de racismo e violência policial que vem ocorrido no país.

"Vivi como um homem gay negro por 50 anos na América. Nada me choca", declarou Porter. "Eu não estou surpreso com nada do que está acontecendo agora. Eu queria estar surpreso, mas não estou."

Ele conta que saiu de sua cidade natal no estado da Pensilvânia para defender seus pontos de vista. "Sou uma pequena rainha negra que nasceu nos guetos de Pittsburgh Por que eu saí de lá? É porque o tipo de trabalho que faço e o tipo de imaginário que eu provoco no mundo é muito importante para mim", disse. "Estou aqui por um motivo", defendeu.

Billy Porter ganhou o mundo. Ele fez seu nome quando foi ao Óscar de 2019 usando um vestido, por conta do choque que isso causou nas pessoas.

Boicote por homofobia

No texto, Porter relata que recebeu um convite da "Vila Sésamo" para participar de um especial sobre amizade usando o vestido de Christian Milano que o tornou famoso. Segundo ele, o governador do estado norte-americano de Arkansas ameaçou para de financiar a emissora PBS no estado se eles veiculassem o episódio.

"Isso porque é pervertido, é campanha gay e eu iria à casa deles para molestar suas crianças. Esse é um pavor que ainda existe", disse.

Apesar dos ataques, Porter — que é vencedor do Emmy de Melhor Ator de 2019 pelo seu papel na série "Pose" — diz que não se afeta com a opinião das pessoas porque sua vida o faz forte.

"Não dou a mínima para o que alguém pensa sobre o que estou fazendo. Isso não acontece quando você tem 20 anos — eu tive que viver bastante para isso",escreveu."Tudo isso não tem consequências para mim porque eu vou continuar sendo eu mesmo."

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